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05 de fevereiro de 2010 às 19:21:20h | Por Equipe Nublog
O cidadão de 34 anos procurou o SAC para tirar uma segunda via da identidade (o tal RG) e lá a atendente, simpática e de olhos arregalados informou-lhe que ele, o próprio, está morto há nove anos. Morto e comprovado, traumatismo craniano foi a causa mortis, segundo atestado de óbito do IML, tudo registrado na ficha dele, ali no computador, conferidos os nomes de pai e mãe, data de nascimento, número de CPF e RG anterior, foto, o mesminho ali de pé, aparentemente saudável, diante dos olhos de todos.
Mortinho e deveria estar enterrado, por que foi aparecer naquela repartição, feito assombração àquelas horas, calor de verão?
O cidadão, pai de família, trabalhador, de cor, ficou amarelado. Tinha posto uma beca nova pra sair bonito na foto colorida digital da nova cédula, mas... Num susto, descobre que diante da lei, perante a Justiça, e a sociedade já morreu, não existe há nove anos e, como morto, não tem direito a documento algum, não vai poder tirar a segunda via de identidade, documento, aliás, que nem devia mais estar usando, vejam só, depois do atestado de óbito que ali está para todo mundo ver e se certificar.
Ora, o RG é documento pertinente a seres vivos apenas, o senhor não sabe?
E mais de nada adiantou a sua presença, a sua voz, seu corpo em carne e osso, testemunhas, parentes, nada que significasse o óbvio de estar bem ‘vivinho da silva’, nada. Legalmente e para todos os efeitos jurídicos morreu, ele é um morto. Até prova em contrário. Prove-nos que existes!
Como assim? O agora perturbado e inexistente cidadão vai precisar de um advogado para entrar com uma ação na Justiça pedindo a anulação do óbito, coisa que implica em outras ações comprobatórias de que, de fato, não morreu. E somente com um atestado em mãos de que é, de fato, um ser humano vivo, assinado pelo Juiz, depois de muita papelada carimbada e jamegada em varas, cartórios, circunscrições e delegacias por advogados e peritos e escrivães e cartórios e chefes e sub-chefes e ...
Horas, dias perdidos, cadê grana, stress, o cara se sentindo, de repente, um estrupício social, chato e desprezível, quem sabe melhor estivesse falecido ‘de mermo’... Mas só depois de comprovado o seu estado de vivente perante a lei lhe seria (ou será) permitido requerer a segunda via da identidade, o (a) tal erregê. Sem ele, não és.
Sério. Não é ficção, kafkiana, tampouco gracinha de escrevinhador. É fato. Acontecido em Salvador, Bahia, Brasil, neste janeiro de 2010.
Normal. Tem pior.
Esse é o império das leis. A bur(r)ocracia estrangula o país, está além da razão.
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Águas de Março
As chuvas avassaladoras que caem em São Paulo, Rio de Janeiro e região Sul do país desde o começo do verão, alagando, destruindo, desabrigando, causando mortes nos alertam para os temporais que caem sobre Salvador e cidades da região metropolitana, sempre, nos meses de março, abril e maio.
Tragédias anunciadas, cada ano.
Sei, tem o carnaval, mas já era tempo de estar nas ruas um ‘operação chuva’ com capinagem e urgências em encostas, limpeza de canais, desobstrução de bueiros, recolhimento de lixos e entulhos, conclusão de obras paradas, fechamento de buracos, fiscalização e orientação para os que moram nas pirambeiras, cuidados emergenciais para as baixadas...
Mas, só como exemplo, todos conhecem a Baixa do Fiscal (foto), seu histórico de alagamentos e prejuízos... Basta uma passadinha de olhos pelas ruas e a gente pressente o que vai acontecer por lá. Nalguns bairros periféricos então...
É só esperar para ver ?
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Desarmamento
O carnaval está em cima e o tema segurança é o que mais preocupa. Imaginem os principais circuitos da cidade tomados por multidões incalculáveis, anônimos de todas as nuances e origens literalmente no esfrega-esfrega das ruas. Nativos, turistas e forasteiros com todo tipo de interesse. E os bairros, onde o clima já é de tensão e medo diários, cheios de adolescentes ávidos.
Só por Senhor do Bonfim não acontecem coisas piores do que presenciamos e vemos pela tevê em dias de festa e fuzuê.
A área de segurança do Estado tem experiência e estratégias amadurecidas para ‘segurar a onda’ do carnaval de rua de Salvador.
Diante da quantidade de armas expostas aqui e ali no dia-a-dia (nas invasões e também nos bairros chiques porque qualquer adolescente tem sua máquina, faz parte, é para se impor ou pra se defender), seria inteligente uma ação, desde já, bem planejada, sem presepadas promocionais, de desarmamento. Flagras, averiguações, blitze, revista geral em buzus, motos, carrões, bairros, bodegas, esquinas... Ações preventivas, articuladas.
É preciso.
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Teste da farinha
Sobre a questão dos homossexuais nas forças armadas (êpa!), o problema não é em si a fruta que cada um gosta, mas a ‘franga solta’ dentro da farda machona. Milico marcha, batendo os coturnos, mesmo desfilando.
Ou será preciso o teste da farinha no serviço militar.
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Nu muro de nublog:
‘Obedeça a sinalização! Ela lhe conduz ao precipício.’
*zédejesusbarrêto é jornalista e escrevinhador.